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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Um novo dia

Quinta-feira, 07 de fevereiro de 2013


Hoje começa um novo dia. Mas não como os outros.
Desobredecendo as ordens de minha tutora, as 13 horas ainda estava eu na cama.

Fui surpreendida por um já conhecido som: "Correios". Uma garota e seu guarda chuva traziam pra mim o melhor dos presentes.

Essa semana pedi provas de que ela é real. As vezes, penso ser uma amiga imaginária. Tão perfeita, tão surreal, impossível ter alguém assim logo ali.

E hoje, para matar minha ansiedade, parte dela chega a mim, envolta em um papel pardo. A primeira coisa que reparo: Agora tenho seu endereço. Não, não sou uma fã enlouquecida e não vou abater a sua porta (a menos que me convide). Quero poder lhe escrever ... mesmo que um dia a internet acabe.

Tento preservar até mesmo a embalagem externa pelo simples fato de ser parte dela. E qual não é minha surpresa? Ela é ainda mais inda por dentro.

Trás consigo uma pele toda quadriculada em rosa e branco. Seu coração é de um rosa tão lindo. E em seu  interior possui sua alma. A força dessa menina, toda sua garra. Agora a tenho perto de mim.

Obrigada Evelin Scarelli por nos compartilhar sua virtude, sua algria de viver, enfim, por nos dar parte de você.

O lenço cor de rosa agora vai ser parte de minha mãezinha, e espero assim que ela possa se recuperar e tornar ainda mais forte (se é que é possível), seu brilho encantador de volta, o sorriso... quero de volta minha mãezinha. Que fez de mim uma mulher, e hoje orgulho dizer UMA SARA TÃO ANA VIGIANO.

Vou levar comigo sempre aqueles momentos em que sem mesmo vestir uma capa, ou num passe de mágina, se tornava minha heroína.
Costumo dizer que ela é pau para toda obra: eletrecista, encanadora, pedreira, cabelereira, e ainda tem tempo pra fazer lindos crochês e cuidar da família.

Agora, nós que cuidaremos de ti mãezinha. Te amaremos sempre e sempre, e se houver vida além da terra, se prepare para um amor extraterrestre.

Evelin, sem você meus dias seriam mais difíceis. Obrigada por surgir em minha vida, como companheira de luta, depois como amiga e agora como irmã. OlLaço cor de rosa agora ser parte de mim também. Sempre que precisar de uma força, uma inspiração, saberei que tenho você por perto.
Sem palavras para continuar....

Desculpa.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Estrelas que se apagam...

É noite de Natal. Os sinos tocam, o vento sopra... a chuva cai. E o céu? Está tão escuro.
Queria aquela estrela. Aquela que brilhava pra mim quando pequenina... E seu eu chamasse vem forte ela chegava até mim.

Mas o céu aqui é tão escuro... luzes aqui são de avião. A noite parece infinda. E em dias como este recordo outras estrelas que deixaram de brilhar aqui na terra pra iluminar o jardim de Deus.

Escutei isso várias vezes e não conseguia entender... "Deus escolheu ele (a) pois quer é gente boa perto dele"... Sim, essa é a resposta que tenho ao questionar porque minha mãe? Por que fulano ou ciclano?
Penso que existe tanta gente ruim neste mundo que Deus deveria pensar um pouco mais ao distribuir esse mal. Mas dai vem essa resposta.

E hoje resolvi pensar nisso. Enfim, eu concordo. De todos que passaram por nós nesse tempo de batalha, sempre conhecemos histórias e pessoas incríveis. Não é nada justo que seja assim, mas quem sabe é Deus né. Talvez seja porque são tão eficientes que já cumpriram seu mandato aqui na terra e já pode partir.

Sendo assim, quero homenagear algumas dessas pessoas que muito me ensinaram e que amo muito. Sim, nos tornamos uma familha quando estamos na mesma luta.

  • Adriana

Conheci essa família em 29 de outubro quando minha mãe recebeu alta da UTI e foi transferida para o quarto. Lá estava uma bela jovem deitada no leito do hospital, ao seu lado a sua irmã Cristina e seu namorado.
Durante os dias que se passaram conhecemos muitos parentes e amigos que a visitavam e sempre com um carinho enorme nos contava quem era aquela jovem que enfrentava essa tão terrível batalha.
Não tenho palavras para imaginar a força que ela tinha, pois além de sua batalha a sua mãe também enfrenta o cancer pela terceira vez. Seus familiares estão todos de parabéns. Não a deixaram só por um minuto sequer. Até que ela descansou.

  • A Lu e Seu Sérgio
Pouco tive contato com ele em específico, mas conheci sua esposa mais de perto. Uma mulher que realmete entendeu o na saúde e na doença. 
Lu, que Deus possa confortar seu coração e de seus familiares.
Eu sei que é difícil sorrir quando o mundo parece desabar, mas não deixe esse seu brilho apagar viu? Você fez meus dias no NACE melhor com sua alegria de viver mesmo em momentos difíceis.
  • Sheila e seu pai

 Essa loira entrou no quarto da mãe um certo dia. Veio ver como ela estava. Como pode ser? Ela acabou de chegar e já conhece todo mundo? 
Pois é, lá no NACE é assim. Você vê a pessoa e já na primeira vez parece conhecê-lia de toda a vida. Passamos pelo mesmo caminho, sentimos a mesma dor. Somos unidos por um elo invisível que nos faz tão prósimos. Partilhamos momentos que se tivéssemos só seriam ainda mais dolorosos. 
Por isso minha querida, pode ser que a gente nunca mais se encontre, mas você estará para sempre em meu coração.Como a loira que cuidava de seu paizinho e de todos que estavam a sua volta. 
Ele com certeza está descansando agora, e peço que faça o mesmo aqui na terra. Esses dias foram sifíceis não é mesmos?
  • Leninha 
Leninha... Hoje fiquei sabendo que voce agora brilha no céu... Jamais vou lhe esquecer viu? Seus cabelos macios como flocos de algodão... Sua fala macia... Que Deus ilumine seu caminho. Descanse minha garota
Essa foi a mais marcante nessa história toda. Com uma família linda, filhas lindas. Lá estava ela quando chegamos ao recanto. Nossa companheira no quarto 21. Mudamos de quarto, nos separamos por um tempo, mas voltamnos. Mesmo quando parecia estar acabando eu sabia que não era a hora. Talvez tivesse sido assim para que eu pudesse ter a oportunidade de abraçar sua filha e dizer vai dar tudo certoQuantas vezes eu precisei de um abraço assim e me via sozinha. A sensação de acalmar um coração é tão gratificante. Mas um dia a hora chega para todos nós. E sabíamos que a dela estava perto. Seu soninho pesado... parecia que nos preparava. 
E hoje ela se foi.
 Dona Bela você foi a melhor mãe que a minha mãe podia ter nesses momentos difíceis. Seus cuidados infindáveis, seu carinho com todos. Conheci uma pessoa tão grande que seria impossível descrever em palavras. Espero que a vida nos permita reencontrar. Pessoas como a senhora é sempre bom ter por perto.  

_________
É assim amigos... A vida que vivemos. Seja no NACE ou no ICESP, sempre uns vem e outros vão. 
No recanto a sensação que tenho é que um vulto está passando e bate em cada porta. Uma hora chegará a sua. Espero estar enganada. Mas a dias em que mais de 7 se vão. É difícil não se apegar a pacientes... familiares... é quem temos, é quem somos. 
Fico por aqui com meu coração apertado. São tantos anjos que passam por nossas vidas, são tantos corações que choram. Será que assim saberei como agir quando chegar a hora? Será que existe um manual?
Quem tiver um me envie...
    

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Reynaldo Gianecchini - Movimento Contra O Linfoma

Reynaldo Gianecchini dá seu depoimento para a capanha Movimento Contra o Linfoma, realizada pela ABRALE, contando como foi receber o diagnóstico da doença.
Acesse www.movimentocontraolinfoma.com.br e assista mais vídeos da campanha.


Me emocionei com o relato do Giane. Realmente um homem de muita carra e exemplo para os que estão em luta ainda. Ver ele brilhando na telinha de novo é tão bom.

Nos faz ansiar pelo dia de amanhã em nossa história.

Que Deus cuidem de vocês.

Bejitos ...

E ele não me escolheu... ainda

"Só eu poderia fazer isso pois sou suficientemente forte."

Começo este post adaptando uma frase do Drº Charles Peter Tilbery, professor e médico neurologista do Einstein, em pouco tempo perdeu a esposa e as duas filhas, de 21 e 23 anos, respectivamente. Todas por parada cardio-respiratória. Neste vídeo ele conta essa história e fala sobre como arranjou forças para superar tantas perdas.


A vida as vezes nos reserva situações pelas quais jamais imaginamos passar. Quem disser pra mim que sempre esperou pelo câncer ou por qualquer outra doença crônica, é de se admirar. 

Recentemente, eu confesso que tenho vivido nessa berlinda. 

Como já tive uma tia que faleceu aos 21 anos vítima do câncer que se iniciou no braço e mesmo após amputação se alastrou para os seios e pulmões, e agora nessa luta com minha mãe, fico imaginando que a qualquer hora vai chegar a minha vez. Desde muito tempo sou assim. Se batia em algum lugar ou mesmo por qualquer que fosse o motivo eu tivesse um baque em alguma parte do corpo que demorasse a parar de doer eu já sabia que tava chegando. 

Tem sido assim até hoje. E recentemente mais forte ainda.

Já faz mais de uma semana que estou com uma tosse seca que teima em não deixar eu dormir. É tão intensa que cheguei a ficar com dores musculares na região do tórax e dores na cabeça ao tossir. 
Começou acompanhada de dor na gargante e rouquidão. A dor passou mas os outros sintomas permanecem.

Tomei Fluimucil (medicamento que o médico me indicou numa outra ocasião que tive os mesmos sintomas), e nada adiantou.

Na quarta-feira eu tinha consulta com a fisiatra na Porto Med Lapa e aproveitei para passar com o Clínico Geral que estava de plantão.

Ele examinou meus pulmões e coração. Fez alguns outros exames e perguntas e eu logo soltei uma: "Drº vê se me examina direito viu. Minha mãe começou com sintomas como tosse e foi várias vezes ao clínico do PS perto de casa e sempre tomava antibiótico, diziam que era pneumonia e na verdade era câncer,"

Gente, o médico não sabia onde enfiar a cara.
Ai ele me perguntou mais sobre essa história e disse "Se eu não lhe pedir um R-X vai ficar preocupada né."
Ai ele me deu as guias, disse pra eu voltar na quinta logo cedo, pois o R-X pode ser feito na própria unidade mas apenas até as 16:30. Disse também que passaria apenas um anti-alérgico (Loratadina) e que o médico especialista (Otorrino) passaria o remédio mais adequado.

Na 5ª eu voltei. Tinha levado a mãe para a quimio e enquanto isso fui fazer o bendito R-X.
Confesso que nunca pedi tanto a Deus por algo que temia ser atendido. Pedi a Deus com toda minha força que se fosse o preço para minha mãe ser curada, que ele passasse aquele tumor pra mim. Eu queria o R-X cheio de manchinha.

Quando o Clínico foi analisar o R-X (agora o Drº Andrei) ele me chamou pra junto dele, analisou as radiografias, viu que o torax estava limpo e as dos seios da face indicavam sinusite.

Só então ele me perguntou, "Então me conta, o que aconteceu com sua mãe?"

Acho que ele ficou preocupado com o que poderia encontrar na radiografia e preferiu ver antes de me atender. 

Depois de repetir toda a história ele passou antibiótico, antialérgico, dipirona e remédio para inalação.

Confesso que fiquei aliviada mas frustrada. 
Eu queria minha oração atendida.
Acho que Ele pensou assim: "Vou mandar apenas um dos sintomas para ela ver o que minha serva está passando". Pois vou te falar viu, as tosses eram violentas. Passei uma semana sem conseguir dormir e sem deixar o esposo dormir também.

No final da consulta ele sugeriu que eu passasse por um mastologista já que tinha dois casos de câncer na família e por ser o câncer de mama o mais comum entre as mulheres.

Já tinha feito exame clínico com a ginecologista recentemente, mas eu já estava ali, o Drº atendia naquele dia e estava com a agenda bem folgada, por que não?
A consulta correu bem. Novamente o exame clínico e nada. Nadinha fora do lugar. Segundo o Drº Silvio, eu devo me preocupar com minhas outras dores (ele ficou impressionada gente, eu com meus 21 aninhos e colecionando dores - escoliose, tendinopatia, etc).

Essa foi parte de minha última semana. Depois conto mais.

E que fique a mensagem. Se cuidem meninas. Pois se acontecer alguma coisa, a sensação de que foi culpa sua por não ter se previnido deve doer bastante. Se notar algo estranho nas mamas procure um médico.
E se notar inchaço dos gânglios linfáticos nas regiões do pescoço, axilas e virilha, ou sintomas como febre, suor noturno, fadiga, perda de peso, perda de apetite e coceira na pele. Se eles persistirem por 15 dias, é vital buscar uma assistência médica ou entrar em contato com a ABRALE (0800 773 9973). Alguns pacientes não apresentam qualquer sintoma e a doença é descoberta por acaso num exame de rotina. Por isso, fique atento a qualquer alteração corporal, que é essencial para um melhor tratamento.

É, o post ficou um pouco longo.
Ainda tenho muito pra contar mas por hora vou parar por aqui.

Fiquem na paz.

Sara Ramos

Hebe Camargo - A queridinha do Brasil

Assista ao depoimento de Hebe Camargo sobre como superou o câncer com leveza e bom humor. Uma boa gargalhada é capaz de preencher um ambiente de alegria como um passe de mágica, e a apresentadora Hebe Camargo parece conhecer este segredo como ninguém. 

"Se toque" você também

Tenho falado bastante sobre o câncer de mama por aqui, da campanha Outubro Rosa etc.
Mas hoje quero falar de um toque diferente. Um toque que ajuda a diagnosticar o LINFOMA.
Esta é uma campanha da ABRALE. E voce pode saber mais sobre ela no banner abaixo:



É isso pessoal. Se quiser saber mais para vocês sobre o Linfoma clique nos links abaixo:
O que é Linfoma | Quais são os sintomas | Diagnóstico | Tratamento | Causas e fatores de risco | Alguns dados importantes


Bjitos meninas e meninos

sábado, 20 de outubro de 2012

20 de Outubro - 80 anos vozinha

Como comentei aqui, outubro é o mês de minhas rainhas.

E 20 de outubro nada mais é que o dia da Vó Felícia.
São 80 anos de uma vida linda.

Viúva aos 40 e poucos anos, não deixou a peteca cair. Cuidou de seus 10 filhos.

A vida lhe pregou peças, levando sua caçula aos 21 aninhos (depois conto mais dessa história).
E agora está nesta luta de novo.

Sempre pedindo a Deus pelos seus, elá é guerreira, mulher de fé, não se deixa abalar.

Desde que me lembro seu rosto é sempre o mesmo, seus cabelos, sua voz.

A vida apenas lhe presenteou com mais algumas linhas que marcam seu rosto, como que contando histórias.

Não posso lhe dar um abraço agora vozinha, mas quero que saiba o quanto lhe amo. O quanto lhe sou grata por ser quem és, por trazer ao mundo a mulher que veio ser minha mãe.

Sei agora de onde vem toda essa garra da Dona Ana. Com Felícia como exemplo...


Pra matar a saudade, encontrei essa fotinha aqui:
Meados de 80'
 
≅ 1992
≅ 1997



≅ 1998


Os anos parecem que não passaram para ela:

2010

2011
2012
Que venham muitos outros anos!!!



E não se esqueçam, outubro é o mês de conscientização quanto a prevenção do Câncer de Mama.




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Dia do médico - 18 de outubro

Dia de 18 de outubro é considerado o Dia do Médico.

Não poderia deixar de parabenizar esses anjos que tem povoado nossas vidas.

Obrigada por existir.
Obrigada por se doar.

Ser médico não deve ser nada fácil.
Lidar com a vida e a morte todos os dias.
Uma carga horária desgastante.

Mas é um dom. É algo que vem quando nasce.

Tive o prazer de conhecer muitíssimos destes anjos e a eles só tenho a agradescer.
Por se deixar ser usado.

Usado por Deus. Sim, eles são a mão de Deus operando em nós.

Já ouviu aquela frase "Dirigido por mim guiado por Deus"?

Então, penso que é assim na Medicina.

Para homenageá-los escolho essa pintura que está sendo esposta no ICESP do artista Oswaldo Scaldaferri:

 Você pode conferir mais obras no ICESP.

"O Icesp está promovendo uma exposição de arte aberta ao público. Batizada de Fenix, a mostra traz quadros e esculturas do artista plástico Oswaldo Scaldaferri.
Desde muito cedo apaixonado pelas artes, ainda na infância Scaldaferri produzia esculturas. Quando adulto, dedicou-se profissionalmente a várias atividades, sem, contudo, abandonar a dedicação ao desenho, à pintura e à escultura. Seus trabalhos foram expostos em diversas galerias, consagrando-se merecedoras de prêmios. Em 2000, foi diagnosticado com câncer e há cerca de três anos tornou-se paciente do Icesp. Para celebrar seu retorno às artes plásticas com força, garra, sutileza e beleza experimentadas em toda uma vida, Oswaldo Scaldaferri expõe, suas mais recentes obras, inspiradas na figura mitológica da Fênix."



Fonte: ICESP


E não se esqueçam, outubro é o mês de conscientização quanto a prevenção do Câncer de Mama.





quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Doe medula óssea

Já falei aqui sobre a doação de sangue e essa semana vi um post no blog da Mel sobre a doação de medula óssea. Confesso que a correria não me deixou assistir ao vídeo.
Mas passando pelo Linfoma de Hodgkin - Minha História também encontrei o vídeo lá neste post, deixei a correria de lado e assisti.
Chorei, sorri, me emocionei enfim. 

O que posso dizer? 
Faça sua parte. Doe medula óssea. Para se cadastrar no banco de doadores é bem mais simples que a doação se sangue. Vou procurar saber mais sobre a doação de medula e conto tudo para vocês.

Agora vamos assistira ao vídeo:



Vídeo elaborado por pacientes do setor de Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba-PR, inspirado no vídeo das crianças do Seattle Children's Hospital.

Esta filmagem foi realizada por super-heróis se doaram por meio alegria, sonhos, esperança e fé - por um mundo repleto de amor.

Seja um doador de medula óssea, compartilhe esta ideia!

"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla". (David Hume)
Filmagem e edição: Voluntários Felipe Torres Gonçalves e Vicente Filizola

SAIBA COMO SE TORNAR UM DOADOR DE MEDULA ÓSSEA AQUI

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O vídeo acima foi inspirado no vídeo Stronger – Seattle Children Hospital (lindo e emocionante):



Bjos emocionados 
Sara Ramos


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um pouco mais de outubro rosa

Essa foto tem rodado as redes sociais e me tocou bastante.



É muito importante se previnir na luta contra o câncer. O diagnóstico determina as chances no tratamento da doença. Quanto antes melhor. 

Por isso, meninas, façam o auto-exame e meninos, cuidem-se também. 
O câncer de mama não é exclusividade de nós mulheres,  uma vez que o peito é composto por tecidos idênticos em homens e mulheres, o cancro da mama também ocorre em homens, embora estes casos sejam menos de 1% do total de diagnósticos.

Não vamos dar ousadia para o acaso, não?

No Brasil, é o tipo de câncer mais comum nas mulheres seguido pelos cânceres de colo uterino, cólon e reto, pulmão e estômago. 

Espero que para vocês, que ainda não estão nesta batalha, sejam tocadas por esta mensagem. Àquelas que já foram diagnosticadas, meu apoio e profunda admiração. Vocês são fortalezas. Ouço sempre de alguem muito especial que Deus nos dá as provas segundo nossas forças.

Então é isso. Se quiserem conhecer histórias de guerreiras que descobriram o câncer de mama e ainda estão o enfrentando, já passou por aqui a querida Evelin, a Monique também tem compartilhado histórias incríveis neste mês de outubro que vale a pena conhecer: a Mari, a Kelly, a Luciana e a Fátima - todas com menos de 40 anos de idade.

Vamos ficar de olho no blog da Monique. Quem sabe até o fim do mês não pinta novas estrelas por lá... 

Kiss Kiss

See you later

Sara Ramos

http://sarinha-ramos.blogspot.com.br/

sábado, 13 de outubro de 2012

Uma menina cor-de-rosa

Estava já a um tempo querendo falar para vocês da Evelin. Um menina guerreira que conheci pelo Oncoguia e desde então acompanho seu blog e trocamos emails. 
Ela tem me dado muita força nos momentos em que teimo em titubear.

Me emocionando a cada dia. Parabéns menina por esta sua luz. Por partilhar conosco essa vontade de viver e nos fazer acreditar que existe um amanhã. Que só depende de nós. Você tem sido muito importante para mim nesta batalha. A vc menina cor de rosa... meu eterno muito obrigada.

Se quiser conhecer um pouco mais sobre a Evelin, passem aqui no blog Lenço Cor De Rosa
Ela também já apareceu aqui no Bolsa de Mulher e acabo de ver mais uma de suas façanhas pelo Empreendedorismo Rosa.

Peço licença para reproduzir aqui a entrevista que nossa amadinha deu para o site:
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Outubro Rosa – Depoimento de Evelin Scarelli

A REDE ROSA, que nos aproxima, me levou até o Blog Lenço Cor de Rosa onde conheci a linda jovem Evelin Scarelli. Convidei-a para escrever dentro do espaço Outubro Rosa e ela prontamente me respondeu. Traçamos um bate-papo online sobre sua história de luta, dor, determinação e superação.

Fonte das imagens: Arquivo pessoal da convidade Evelin Scarelli

Aos 23 anos, ela não tinha por hábito fazer o autoexame e nem sua ginecologista de realizar a palpação das mamas, durante a consulta. Em certa manhã, ela tocou, por acaso, o seio e percebeu que algo não estava certo. O câncer de mama foi descoberto em dezembro de 2011. Três dias antes do ano novo, ela  realizou a primeira mastectomia.

Sua quimioterapia terminou em maio de 2012. Em agosto, a ressonância apontou uma linfonodomegalia axilar na outra mama, a direita, e ela terá de fazer nova cirurgia, mas desta vez sem necessidade de quimioterapia e radioterapia.

O INCA afirma que existem no máximo 2 casos a cada 1 milhão de mulheres com câncer de mama, dentro de sua faixa etária. Portanto, a história de Evelin nos alerta e confirma que o autoexame ainda é o melhor caminho para a prevenção e detecção do câncer de mama.

Compartilho com vocês o carinhoso depoimento de Evelin ao Empreendedorismo Rosa. Muito obrigada Evelin ROSA Scarelli!

Lênia Luz
Alô, alô às desavisadas, o câncer de mama não escolhe idade! Meu nome é Evelin de Moraes Scarelli e entrei para as estatísticas de portadoras de câncer de mama no final do ano passado, aos 23 anos. Câncer de mama aos 23 anos? Pois é, câncer… ascendente em touro, com terceira lua em Plutão, na primeira casa em Urano. Brincadeiras à parte, o câncer é um assunto muito sério. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), somente neste ano, mais de 52 mil mulheres brasileiras serão diagnosticadas com Câncer de Mama.
Descobri o meu primeiro tumor através do autoexame e como sou muito nova, o médico realizou uma cirurgia que acreditava ser apenas para a retirada de um nódulo de gordura. Após o resultado da biopsia, o próprio mastologista desacreditou e enviou o resultado para mais quatro especialistas.
E vocês acham que a minha vida mudou por causa disso? Sim, e para melhor. Não sou a favor de “vender” o câncer e todas as coisas boas que ele me trouxe, mas convenhamos que “evoluir” aos 23 anos é como ganhar na loteria. Hoje, sou outra mulher: carregada de marcas físicas graças as sessões de radioterapia, quimioterapia e da cirurgia de mastectomia, mas carregada também de marcas internas, como a paciência e o amor absoluto pela vida e pelas pessoas. Dificilmente alguma coisa me tira do sério. Perdi o medo de falar em público e hoje saio por aí dando entrevistas em sites bacanas e informativos como este.
Sinceramente, não sei em qual grau de felicidade me encontraria se não estivesse “protegida” pelo diagnóstico precoce (e bota precoce nisso). Só sei que reforçar a positividade da vida, agora que luto por ela, me faz ter a certeza de que a cura do câncer encontra-se no “tocar em frente”. E na mesma velocidade com que a surpresa do câncer chegou, levando consigo as minhas mamas e os meus cabelos, ele irá embora… O ciclo do inverno se fechará e meu físico recomeçará aflorar. A árvore manteve-se firme… e serena.
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 Um grande beijo e fique com Deus.


Minhas Rainhas

Mês de outubro é o aniversário de minhas grandes rainhas.
Gostaria de dizer o quanto as amo. Cad a qual a seu modo.

Voinha sempre ali, suas feição não mudou nada, apenas uma ruga aqui outra acolá. E esse ano se completa 80 aninhos. Queria estar lá de seu lado, para poder sugar um pouco dessa jovialidade. Ainda a frente de seu sítio, comandando gados e galinhas.

Mainha, o que posso dizer. Minha fortaleza. Exemplo de fé e superação.
Tudo que lembro é que nunca se satisfez com um não. Se este teimava em aparecer ela mudava a história.
Costumo dizer que ascetava piso, levantava parede, rebocava, fazia instalação de parte elétrica [...] e ainda costurava, e com excelência viu...

Para matar a saudade coloco umas fotinhas da última vez que a vó esteve aqui em casa:


Em meu casamento (25/07/2010):


Niver Thalyta (março/2011):


E para finalizar, uma mensagem que acabo de ler no Face e muito falou ao meu coração:

"Num momento de dor e sofrimento, não questione Deus. Você pode não entender por que Deus permitiu que isso acontecesse. Respire fundo e fique calmo, agora deixe “Deus ser Deus”. Não tente interferir no agir de Deus ou você pode só piorar as coisas! Só saiba que seu choro não foi em vão. Amanhã você verá que tudo isso que você passou, teve um propósito! Toda a dor que você estava sentindo, se transformou em uma grande recompensa. Tenha fé, Deus vai te ajudar. Só lembre disso: O que para você pode parecer impossível para Deus não é! Deus vai te ajudar só tenha fé!"

Um bjo grande e fiquem com Deus.

Sara Ramos


domingo, 7 de outubro de 2012

Nunca desitam

As vezes em nossas vidas deparamos com certas coisas e pensamos desistir de tudo.
Achamos que é o fim e que jamais conseguiremos sair daquele aperto ... Choramos sozinhos em nosso canto... mais deixa eu te dizer uma coisa... naõ devemos desistir de nada por mais dificil que pareça ser isso, é apenas uma fase e passará logo mais. Para isso vc tem que acreditar que Deus irá fazer isso em sua vida.
Não desista siga em frente, pois somos vencedores e Deus jamais nos desampara... pense nisso..vale a pena passar por tudo issso...pois nós seremos recompesados.

Tenha uma otima noite

Um abraço 

Ana Aparecida

sábado, 6 de outubro de 2012

Desabafo por Ágata Luana



Bom sou a Ágata amiga da Sara a uns 4 ou 5 anos. Me sinto meia agregada a família sabe. Desde o primeiro momento que a Sara criou esse Blog sempre venho acompanhando e sempre quis comentar mais eu não sou muito boa de palavras e toda vez que eu começo a escrever e começo a chorar e não termino.

Hoje vou ate o final. 
Bom quando fiquei sabendo que a Dona Ana estava doente aproximadamente 1 ano e pouquinho. Na época ela fazia aulas de natação. A Sara falou que ela estava com água no pulmão, pois tinha bebido muita água nas aulas, ai foi pro pulmão (Acredita que eu acredito Nisso*).

Por algum tempo ninguém sabia explicar o que estava gerando essa água no pulmão e também no coração. Quando veiu o diagnóstico travei. Me fiz um monte de perguntas. Porque? Como? Não fazia sentido tudo isso. Chorei muito. Mais sempre tive uma certeza que ela vai seguir vencer essa batalha..

Minha mãe tem a doença de Crohn, doença inflamatória intestinal que não tem cura. O médico dela diz que é um Cancêr não desenvolvido. Ela perdi muito sangue quando ataca. Ela senti uma colica intestinal muito forte que ate grita chora de dor. O tratamento no começo era mais sofrido. De 2 em 2 meses ela tinha que fica um período internada e fazer um exame muito doloroso - Colonoscopia.

Hoje depois de 6 anos, a doença está estabilizada. A última vez que a doença atacou eu estava em Goiânia . Minha mãe foi internada. Foi pra UTI. Eu lá sem poder vim embora. Foi ai que eu me apeguei a Deus. Convercei com ele pedi força e sabedoria. Era muito nova pra perder minha mãe. Rezei muito, fiz muitas promessas. No final tudo deu certo.

A um tempo atras minha mae foi com a Dona Ana em consulta e viu a força, a garra da Dona Ana e das Meninas ( Saka e Teté).
Tenho toda certeza que ela vai vencer essa Batalha que vai dar tudo certo.
Ai gente to chorando tanto que nem consigo mais Pensar..

Sem Mais 

Vai dar tudo certo (por Eliane Fernandes)


Bom dia!


Querida Sara, não sou muito de escrever, mas vamos lá.




Há um ano e três meses, o Senhor me presenteou com um câncer de mama, sim me presenteou pq nada é por acaso, me casei há apenas 4 anos, farei 5 anos de casada dia 8 de dezembro próximo, tenho uma filha de Dezessete anos de um relacionamento passageiro, fiquei em oração por 6 anos,  para saber o que o Senhor queria de mim, até que ele me enviou essa pessoa maravilhosa que está ao meu lado, que também estava em oração há 5 anos, só que não podia mais ter filhos por conta de um problema no útero, ai mas uma vez o Senhor entrou em ação me dando a pequena Sophia, que hj está com quase três anos. 
Pois bem, quando o câncer apareceu, questionei Deus, foram tantos porquês, pq me deste um marido? pq me deste uma filha se não vou criá-la? O que vai ser da minha filha adolescente sem mim?,  e o Senhor sempre me falava calma a última palavra é a minha,  e foi, ele reuniu um exército grandioso de servos fiéis para interceder por minha vida e hoje com toda a certeza  posso dizer para vc e sua querida mãezinha que vai dar tudo certo me reuni ao exército de fiéis para orar pela vida da sua mãe.
Deus nos põe à prova pra testar a nossa Fé, mas o modo de Deus trabalhar é além do que conseguimos enxergar, seus sonhos são  superiores aos nossos e ele sabe o tratamento que deve ser feito conosco.



Bjs em toda família.




Nossa história (por Camila Martins)

Hoje recebi um email lindo da Camila Martins.
Depois de trocarmos figurinha pelos comentários, enfim, pude conhecer sua história. Um relato incrível que nos mostra o quanto somos frágeis diante de Deus.
Não vou falar muito pra dar espaço para essa história incrível que vem chegando.
Me emocionei e tenho certeza que não serei a única.

Espero te ver mais vezes aqui Camila, e que Deus continue a conformar seu coração. As vezes não entendemos os propósitos de Deus mas ele sabe o que faz.

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Ponte Nova, 05 de Outubro de 2012.

Olá Sara e Ester, eu comentei um post no blog da Sara, me sensibilizei com a história de vocês e resolvi compartilhar a minha. Acredito que dê forças e as ajude nessa caminhada que não é nada fácil.

O sonho da minha mãe, pastora Maria Lúcia, sempre foi voltar pro Rio Grande do Norte (RN), onde nasceu. Em 1998 tentamos morar lá, mas isso só durou 5 meses porque meu pai passou no concurso em Ponte Nova-MG e não tinha previsão pra ir pro RN. Voltamos pra MG e continuamos nossas vidas.
Em outubro de 2010 minha tia Vitória (que mora no RN) nos ligou falando que meu tio Agrício estava muito doente, com câncer, e já não teria muito tempo de vida. Minha mãe viajou pra lá e cumpriu seu dever como pastora de orar e ajudar no que fosse preciso. Não durou muito tempo e ele
veio a falecer. Foi muito triste, no velório ela orou, cantou louvores e pediu o consolo do Senhor a toda família, sabendo que meu tio estava nos braços do Senhor. Naquele momento senti um aperto, por um instante passou pela minha cabeça que aquilo poderia ter acontecido na minha casa, mas não... Deus não seria injusto conosco... toda minha casa serve ao Senhor... claro que não passaríamos por aquilo... óbvio que não! (pensei).

Um mês após ter viajado pra lá ela voltou pra MG. Estava encantada com sua terra natal, a união da família (ela tem mais de 10 irmãos vivos), as praias e belezas naturais de lá etc... Não deu outra, quis tentar de novo: "Ôh bem, vamos pro RN, agora que você está se aposentando dá pra gente ir... ... ..." Meu pai, Adair, confessou, há poucos dias, que naquele momento sentiu que estaria nos perdendo, sentiu um aperto no coração sem explicação, chorou sozinho muitas vezes, pois ele ficaria algum tempo sem a gente (minha mãe e eu), até que a aposentadoria saísse, mas ele concordou. Ela sempre
falava que queria ser enterrada na sua terra, que meu pai com certeza daria um jeito pra isso. Era novembro de 2010. 

Então, depois de estudarmos a idéia, lá estávamos nós duas no RN, em Maio de 2011, "de mala e cuia" prontas para uma nova vida (meu pai iria assim que saísse a aposentadoria).
Estávamos muito felizes, ela abriu um salão de beleza com minha prima Mere, eu comecei a trabalhar em 4 escolas (sou formada em Educação Física), passeios com a família, novas amizades, a igreja da minha tia Vitória nos recebendo com alegria, quase tudo dando certo, faltava meu pai conosco.
Em dezembro de 2011, nas minhas férias, resolvi visitar minha irmã, Karen, em Goiás, passar o reveillon com ela e sua família. Voltaria em janeiro pra retornar ao trabalho.

Dias antes da minha viagem, minha mãe começou a sentir dores no estômago, que foram ficando cada vez mais frequentes com o passar dos dias. Ela tentava mascará-la com sal de fruta, analgésicos etc. Teve uma noite que não dormimos pois ela teve uma crise de dor muito forte.  Ela não queria procurar um médico pois "era forte", "não seria nada", "um remedinho resolve". Viajei pra Goiás e fiquei lá um mês, já que as passagens já estavam compradas e ela não queria que eu cancelasse o vôo. Voltei no dia 25/01/2012, e fiquei assustada ao encontrar minha mãe de cama na casa da minha tia Vitória. 

Minha mãezinha, que sempre foi forte, também não chorava (só em oração a sós com Deus), estava ali sem poder levantar, só que continuou se fazendo de forte pra não nos preocupar. Ela tinha ido ao médico enquanto eu estava em Goiás, fez vários exames e foi diagnosticada com  pedra na vesícula. Menos mal, sabíamos que uma cirurgia simples resolveria o problema. Ela estava apenas esperando a ordem de internação para operar. 

A partir desse dia ficamos hospedadas na casa da minha tia Vitória, não tenho palavras para agradecê-la por tudo, foi essencial em nossas vidas durante todo esse período.

No dia seguinte (26/01/2012) conseguimos interná-la em Natal-RN. Após uma radiografia, o 1º médico disse que "poderia não ser apenas pedra na vesícula, poderia ser algo mais complexo, a nível neoplásico, tumoral", essas foram as palavras dele pra mim. Eu não sabia o que pensar, depois dessas
palavras não escutei mais nada do que ele disse, simplesmente parecia que eu iria parar de respirar naquele momento. Ainda bem que o Alex estava comigo (amigo e irmão da igreja, que nos ajudou na burocracia da internação). 

Eu não disse nada pra ela, pois queria ter certeza absoluta que era mesmo câncer pra poder dar a notícia. Ela internou e fez alguns exames. Os médicos seguintes não deram o mesmo diagnóstico, disseram que era pedra na vesícula mesmo, que estava infeccionada. Precisaria tratar a infecção pra poder operar. (Detalhe: isso tudo foi na mesma noite de 26/01/2012). 

No outro dia (27/01/2012) meu pai chegou de MG, pediu as férias, férias prêmio etc... Quando o vi, o abracei e comecei a chorar, ele me deu muita força e disse que, se fosse mesmo essa doença, teríamos que ajudá-la, e se o pior acontecesse, teríamos que nos conformar com a vontade de Deus, pois todos
nós um dia vamos morrer, de uma forma ou de outra. A princípio aquilo doeu no meu coração, mas depois o compreendi. (Era muito possível que minha mãe estivesse com câncer, pois já tiveram 4 casos na família dela).

A partir de então começou a maratona de exames de sangue, fezes, urina, radiografias, ultrassonografias, tomografias etc... Eu e meu pai começamos a revezar as dormidas no hospital, a tia Vitória e a prima Mere também dormiram algumas vezes, o que ajudou muito. Sou muito grata a Deus pelas suas vidas.

A barriga da minha mãe estava muito grande devido a um líquido, e os médicos começaram a investigar a causa, mas infelizmente, a gente sabe como funciona a saúde pública no nosso país, e esse processo demorou muito até que a Nicole chegou em nossas vidas. Ela era uma estagiária que estava cursando o último ano de medicina. Como ela queria ir até o fim com o caso da minha mãe, agilizou o processo dos exames e tudo mais.

À medida que os resultados chegavam, o diagnóstico de câncer parecia ser inevitável, mas eu não queria acreditar, Deus é tão bom, tão justo, minha mãe não merecia aquilo, ela sempre pregou, confortou o coração das pessoas, pessoas eram curadas através da sua oração, foi onde ninguém queria ir "só pra levar a Palavra", e isso era tão revigorador pra ela, estava cumprindo o seu chamado e isso a fazia feliz. Até no hospital, não perdia uma oportunidade de falar de Jesus. Nunca reclamou com Deus de nada.

A Nicole conseguiu uma consulta no hospital LIGA (Liga contra o Câncer), referência no nordeste no tratamento de câncer. O médico conversou muito com a gente, esclareceu algumas dúvidas e enfim disse: "99% de chances de ser câncer". Ele pediu uma biópsia do umbigo dela pra ter 100% de certeza. Eu permaneci forte na sua frente, pois não queria esmorecer, mas por dentro eu não podia acreditar. Eu tinha que ser forte. Meu pai, minha tia Deuzinha e meu tio Jair estavam lá fora nos esperando, meus tios nos ajudaram muito. Pelo SUS esse exame demoraria meses e preferimos fazê-lo particular, nem pensamos 2 vezes, mais de R$ 500,00 não eram nada perto do valor da vida da minha mãe.

Tio Jair buscou o resultado e pronto, era definitivo, ela estava mesmo com câncer e o pior, já estava com metástases pelo corpo... Que dia meu Deus! Eu chorei muito, minha tia Deuzinha estava perto e me deu muita força, mas eu não podia voltar pro quarto da minha mãe chorando, aguentei firme e me segurei. Estava procurando as palavras certas para dar a notícia, não sabia como ela reagiria. Até que, no mesmo dia a tarde, ela me pediu pra ir ao banheiro e eu a levei na cadeira de rodas, ela já não conseguia ir andando sozinha (precisava de ajuda pra tudo). No banheiro, antes de voltarmos, eu não
consegui aguentar, comecei a chorar e ela me perguntou o por quê. Eu disse que o diagnóstico era tumor maligno, chorei feito criança e ela me consolou...

Genteee, ela que era a enferma e estava me consolando, me abraçou, ficou triste sim, mas não chorou naquele momento, disse que essa era a vontade de Deus, que Ele sabe o que faz, teria um propósito nisso tudo. Ela me contou depois que abraçava meu pai e os dois choravam juntos, baixinho, sem dizer uma palavra (tinha mais 2 leitos no mesmo quarto). 

A essa altura, os dias no hospital eram muito angustiantes, aos poucos fomos nos acostumando com a comida sem sal, as noites numa cadeira de balanço e um travesseiro para os acompanhantes, pacientes chegavam, saiam, e minha mãe lá, sem previsão de alta. Conhecíamos as histórias das pessoas, seus "causos", e ela sempre com uma palavra amiga. Sem falar nas fortes crises de dor, vômitos, pernas inchadas, fraqueza (ela dizia que não cabia quase nada no estômago, comia o mínimo), muitas vezes gritava de dor no hospital, as enfermeiras não podiam fazer muita coisa, os médicos receitavam doses mais fortes de remédios, mas algumas vezes parecia que era em vão. Até que receitaram morfina... meu Deus!... morfina?!?! Era o último recurso pra dor, era aplicada de 1 em 1 hora, as vezes até antes, as dores eram muito fortes mesmo. As pessoas iam ao quarto dela pra ver o que estava acontecendo, os médicos com "outros casos mais urgentes" pra atender, não podíamos fazer muita coisa também, somente orar... orar... e orar... Deus com certeza iria curá-la e aquilo tudo faria parte do seu testemunho mais tarde. Era nisso que nos apegávamos a cada dia... a cada novo dia...

Após muitas idas e vindas para exames, orações e visitas da família, crises intermináveis de dor, muitas e muitas picadas de agulha (chegou um momento em que as veias dela já não eram mais "achadas" pelos enfermeiros, estavam secas, era preciso muito tempo até "conseguir uma veia" pro 
soro. 

Ela estava fraca, mas sempre com um sorriso no rosto), conseguimos consulta com a médica que a acompanharia na quimioterapia. No dia da consulta ela chegou no LIGA em prantos, muita dor, tia Deuzinha chorava comigo, não aguentávamos vê-la sofrendo sem poder fazer nada. A medicaram e, depois de uma longa conversa comigo, a médica marcou o dia da primeira sessão de quimio, que aconteceria após a liberação da secretaria de saúde. Uma burocracia demorada, mas necessária, todo tempo era precioso. 
 
Já era 05/4/2012, o dia da primeira sessão da tão esperada quimioterapia. Ela saiu do hospital Santa Catarina, onde estava internada desde janeiro, e foi pra LIGA, pra quimio. Meu pai a acompanhou, ela estava bem disposta, com muitas esperanças de que aqueles líquidos amarelos, entrando na sua veia, estariam misturados à unção de Deus que trariam a sua cura. Após algumas horas, voltou ao hospital Santa Catarina, e continuou internada. Mas já não agüentava mais esses meses todos numa cama de hospital, queria ir pra casa, comer uma comidinha caseira, nós sabíamos que ela se alimentaria melhor em casa. Os médicos não falavam muita coisa, somente que teríamos que esperar, esperar e esperar.

No dia 7/4/2012 meu irmão mais velho, pastor Rômulo, chegou de MG. Ele orou, trouxe notícias da família, mostrou fotos a ela, que muito se alegrou por saber que todos estavam bem. Até que, no dia 11/4/2012 (quarta-feira), o Dr. Edson, que a acompanhava naquele mês, lhe deu alta, acho que ele
sabia o que estava por vir, e lhe concedeu esse desejo. Fomos embora muito felizes, apesar de ainda estar com dores, ela estava feliz. Fomos direto pro LIGA pra tratar essa dor, ou pegar alguma receita de algum remédio que ela poderia tomar em casa. Meu primo Jânio (que também nos ajudou muito
nesse período) nos levou, ela ficou em observação o resto da tarde e parte da noite, tomando soro e outras medicações. Voltamos pra casa tarde da noite, ansiosos pela sua recuperação. Ela não dormiu muito bem, ficou me acordando a noite, queria dormir segurando minha mão, também queria ir ao banheiro, mas não conseguia fazer suas necessidades fisiológicas. 

No dia seguinte, quinta-feira, ela piorou, começou a trocar os nomes das pessoas, pedia o remédio e 5 segundos depois pedia de novo, pedia pra ir ao banheiro (sempre em vão) e quando voltava pedia pra ir novamente, queria ficar quieta, deitada no sofá, estava muito pensativa, não queria muita conversa. A tia Vitória e a prima Mere foram nos visitar e dar uma força. Aproveitei pra ir no LIGA pra ver se conseguia adiantar a consulta dela com a médica, pra ver seu estado, sua piora. Eu estava exausta, pois ela só confiava em mim pra dar banho, massagear as pernas, ajudar a trocar de roupa, preparar a comida etc... Dizia que eu era mais paciente, preferia a mim, até mais que meu pai, para ajudá-la. Confesso que gostava disso, ela era MINHA mãe, minha mãezinha querida...

No LIGA consegui marcar consulta só pro dia 18/4/2012, era tão longe, mas teríamos que esperar.

Na sexta feira (13/4/2012), meu irmão foi embora pra MG, e minha mãe piorou ainda mais. Nesse mesmo dia minha irmã Karen chegou de Goiás com o marido Messias e a filha Alice. Foi muito importante para suportar o que estava por vir. Nesse dia minha mãe não estava mais atendendo quando a chamávamos, não comia nem bebia, não foi ao banheiro, sem falar que não conseguia dormir desde a quarta-feira. Não esperamos mais, na manhã seguinte (sábado, 14/4/2012), às 6 da manhã a levamos pro LIGA, descemos as escadas de casa com ela sentada em uma cadeira. Chegando lá tivemos que esperar liberar um leito pra ela, eu chorei muito, ela não tinha reação, travou o maxilar (depois li a respeito, parece que eram sintomas de infecção generalizada). Liguei pra tia Vitória pra ela orar, mas não consegui dizer nada, só chorava, meu pai então falou com ela. Depois de muita espera, a internaram e não nos deram esperanças. A enfermeira me disse que iriam fazer uma pequena cirurgia pra conseguir o acesso numa veia perto do coração (não entendo muito bem), pra poder aplicar o soro e medicamentos. A colocaram no oxigênio, puseram sonda urinária... 

Durante todo o dia ela recebeu muitas visitas de toda a família, eu estava muito preocupada, as vezes chorava nos braços do meu pai, que sempre permaneceu forte, parecia conformado. No final da tarde a enfermeira me disse que os médicos estudaram o caso da minha mãe e chegaram à conclusão que não seria bom fazer essa pequena cirurgia nela, pois estava muito fraca e serviria “apenas para apertar um botão pra acelerar algo que era inevitável”.

Nessa hora eu pensei: “Meu Deus é especialista em causas impossíveis, se a medicina humana não pode, o meu Deus pode realizar o impossível”... pensei nisso até o último segundo, meu Senhor iria curá-la, claro que iria, isso seria um grande testemunho de vida pra todos nós, o restante da família, que ainda não se rendeu a Cristo, não teria escolha, quem não quer servir a um Deus que cura doentes em estado  terminal? Essa era minha oração, orava “debatendo” com Deus, que isso era mais proveitoso pro Seu Reino do que sua morte. Naquela noite de sábado pra domingo resolvi ficar com ela no hospital, meu pai entendeu, quis me deixar com ela nos seus últimos momentos. Tarde da noite eu liguei pra minha grande amiga Cláudia, de Juiz de Fora - MG, nós oramos e choramos juntas no
telefone, tínhamos a certeza que Deus não iria levá-la. Mãe passou mais uma noite acordada, eu também, fazendo massagens, falando ao seu ouvido, orando. 

As vezes ela me olhava fixo, me acompanhava com o olhar, parecia que queria falar algo, reclamava de dor, mas a enfermeira não me autorizou a mudá-la de posição, qualquer esforço seria fatal. Até que
as 8hs daquele domingo ela teve uma convulsão, foi horrível, nunca vi algo tão terrível nessa vida. Eu chorei desesperadamente chamando as enfermeiras, uma delas me retirou do quarto e disse que iriam medicá-la. Eu liguei pra tia Vitória, mas não consegui dizer uma só palavra, só chorava, e ela também
chorou comigo, gritava que já estava a caminho. Nisso a enfermeira voltou, 10 minutos depois, dizendo que minha mãe estava bem, “foi só uma convulsão”. 

Quando voltei ela estava com os olhos fechados, repuxados devido a algum medicamento específico pra isso. Me assustei mas fiquei aliviada, pois ela ainda estava respirando, com muuuito esforço mas estava respirando... Sinal de vida...

Enfim, nessa mesma manhã, meia hora após a convulsão, as 8:30hs da manhã do dia 15/4/2012 ela se foi, “voltou para casa”, foi para os braços do Senhor sem me dar um adeus, eu a segurava pelas mãos e senti seu último suspiro. 

Não pude acreditar que estava vivendo aquilo, eu queria chamá-la de volta, chorei compulsivamente, desesperadamente. Uma enfermeira me tirou de lá, seria melhor pra mim. Então comecei a ligar pra todos os familiares e amigos, em meio a lágrimas de uma dor que não passaria com remédios, soros ou morfina... Ela não voltará mais, não está viajando, ela foi embora pra sempre (eu dizia)...

Infelizmente minha história não teve um final feliz, a saudade é um martelo impiedoso, as lembranças dos dias terríveis que passamos se perdem em meio ao alívio de saber que ela está bem melhor que todos nós. Cada dia é sempre mais um dia, mais um novo dia que estamos sem sua presença física,
mas estará sempre viva em nossos corações.

Confesso que não é fácil conviver com a ausência da minha mãe, que sempre foi forte, nos ensinou o que realmente tem valor nessa vida. Tem dias que a falta que ela me faz é tão grande que choro muito, choro no banheiro, choro no quarto, choro na janela, choro com Deus... Não alivia a dor, mas
consigo desabafar e tirar do peito um peso angustiante... A vida segue e sigo vivendo um dia após o outro, na certeza de que nos encontraremos daqui há algum tempo...

Queridas Sara e Ester, aproveitem cada instante ao lado da sua mãe, esse tempo é preciosíssimo pra estreitar os laços, demonstrar que estão juntas, na mesma luta, que vencerão com a bênção do Senhor. Oro para que sua história não tenha o mesmo final que a minha, mas que sirva como um grande testemunho de vitória, de superação, que vai ajudar no desenrolar de muitas outras histórias...

Um beijo da nova amiga Camila Martins.