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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Boas e não tão boas

Ontem estive com a mãe das 16h as 21h.
Como contei aqui, a enfermagem me ligou ontem dizendo que ela gostaria de ver eu e o meu irmão. Na verdade, o que aconteceu é que ela passou muito mal no período da manhã e eles perguntaram se queria que avisasse a alguém, e como somos os de maiores e é meu telefone que está no cadastro, é pra mim que eles ligam sempre que tem que falar alguma coisa.

Fiquei meio assim sabe, pois sei que se fosse mesmo algo, ela pediria para ver nós todos.

Quando cheguei que ela me viu a voz dela já ficou embargada. Disse-me apenas que passou muito mal de manhã. Não sabia me dizer exatamente o que aconteceu.
Questionei o médico que estava de plantão, o Drº Alexandre Galvão, e ele me explicou: o que aconteceu é que a mãe teve uma queda de pressão, e falta de ar durante o café da manhã. 

Ufa! Pensei que foi um desmaio, convulsão ou algo pior sei lá, parada cardíaca já que o coração dela ta bem fraco ainda.

Mas enfim, a minha preocupação quanto à ligação ou o que teria acontecido foi sanada.

Mas... sempre tem um mas ...

O Drº Alexandre também nos disse que de 4ª para 5ª ela teve uma queda muito alta nas plaquetas (deveria estar com 2000 e tinha apenas 948). Ou seja, a imunidade dela estava muito, muito, mas muito baixa. Apareceu uma febre, o que indica infecção. Não se sabe que tipo de infecção mas ela tá lá e causou essa febre. O que está sendo feito é a ministração de antibiótico para ver a reação dela em 24h.
Por esse motivo ela não pode tomar também a 2ª sessão do 3º ciclo que estava agendado para esta 5ª feira.

Quero agradescer o Drº Alexandre, que diante do novo quadro da mãe, permitiu que eu ficasse com ela das 16h as 21h. 
Pude conversar um pouco com ela, afinal, deve ser mega power tedioso passar horas e horas ali naquela cama. Passam por lá dezenas de enfermeiros por dia, mas não é a mesma coisa. E para completar, o leito dela fica diante de um relógio. Eu já teria contado cada segundo, cada tic... tac...

O que temos de novo? 
Boas notícias: um dos drenos já saiu. Lembra dessa imagem? Eram dois - um no pulmão e outro no coração. Me desculpe a falha, mas não me atentei a qual foi tirado. Atualizo mais tarde viu.

Não tão boas: Com esse novo quadro de infecção, a previsão de alta da UTI fica mais uma vez inderterminada.

E as ótimas: segunda-feira (29/10/12) e niver da nossa super diva. Eu estava pensando como iria driblar a segurança para entrar com nem que fosse um mísero bolo. E grata foi minha surpresa quando eu cheguei lá a mãe estava toda contente. A equipe do hospital vai fazer uma festa de aniversário para ela com direito a bolo, refrigerante, balões. 
Ela que não é boba nada, já perguntou para a  Lucilene Caldeira - psicóloga da UTI do ICESP- quais são as cores dos balões, pois ela quer um chapeuzinho igual. Eu posso com isso?

Pois bem dona Ana, as cores são as do ICESP: Branco, Azul e Verde.
O chapeuzinho? Vou dar um jeito de comprar.

Por falar em chapeuzinho, a Lucilene mandou providenciar com a Hospitalidade um lenço pra mamys. Já ganhando presentinhos... Chique hein.
As voluntárias também mandaram um gorro de lã e um lenço de onça chiquérrimo para nossa estrela. 

Essas são as fotinhas que registramos nessa tarde de quinta-feira:


Depois conto mais como foi o resto do dia da Dona Ana.

Bjinhos
Sara Rramos

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma 5ª feira muito agitada

Comecei a atualizar vocês sobre como foi minha última semana.

No sábado (13/10/12) estivemos na AD São Mateus para um congresso maravilhoso, o Cibesma 2012, e depois demos uma passadinha no Habib's, afinal ninguém é de ferro e momentos com a família é sempre muito bom.

Na quinta (18/10/12) muita coisa aconteceu:
Quando voltei já era umas 13 horas. A mãe já estava do lado de fora do ICESP aguardando para irmos embora.

Falei pra ela assim "Mãe, vamos no voluntariado. As meninas querem te conhecer, ai agente aproveita para escolher sua peruca.
Ai pedimos para chamar a Assistente Social no Caio para solicitarmos o formulário.

Enquanto isso, a mãe quis passar com o médico no Caio. Ela estava com os pés muito inchados, com cansaço e falta de ar.

Depois de uma espera de quase 2 horas, ela passou pela plantonista do Caio que pediu alguns exames e encaminhou ela para medicação. 

Já passamos por isso outras vezes e como sabemos o quão demorado é, dispensamos nosso "motorista" para retornar pra casa, afinal ele estava de pé desde as 4 da matina.

E mais uma longa espera... ela foi encaminhada à sala de medicação por volta das 17 horas. 
Até iniciar a medicação já era umas 18:30.

Como eu já estava no hospital desde as 6h da manhã e ainda pretendia ir para a faculdade, lá pelas 18:30 decidi me despedir dela, pois não havia previsão de quanto tempo ela ficaria por lá.

Como não temos o controle sobre tudo, e existem milhões de regras a cumprir, tive que esperar o meu irmão sair (não pode permanecer dentro da internação do caio mais que um familiar). 
Enfim, quando consegui pegar minhas coisas e despedir de minha rainha já era quase 19h e eu não conseguiria mais chegar a tempo na facul - confesso que foi um alívio (eu estava só o pó da rabiola).

Foi uma noite longa. Eu com a sinusite atacada, sem dormir direito a uma semana e agora muito menos sabendo que a mãe estava de novo lá no caio e que poderia acontecer a mesma história ... 3 dias de Caio e alta.

Essa foi a dona Ana que deixei no ICESP na noite de 18/10/2012:


Mas a história não acaba aqui...

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Meninas cor-de-rosa

Como falei aqui, na quinta-feira (18/10/12) acompanhei a mãe em sua 1ª quimio do 3º ciclo neste novo tratamento. Estava marcado para 7 horas e como sempre tínhamos que chegar 1 hora antes.
6:15 e lá estávamos para iniciar a sessão.
Todo o processo (triagem, espera etc) e ela só foi entrar para quimio mesmo já quase 8 da manha.

Essa é a vista da suíte master que mandei reservar pra ela naquele dia. Uma quinta com manhã chuvosa... friozinho...

Enquanto ela ficava se deliciando dos cuidados de anjos escolhidos por Deus, fui fazer um exame e passar por uma consulta na Porto Med Lapa conforme contei aqui, e no caminho para a saída dos hospital passei pelo 3º andar para conhecer a equipe de voluntários.

A Ester já havia se informado sobre a doação de perucas e eu fui esclarecer, ver como funciona, etc.

Tive a oportunidade de conhecer a querida ZiZa que faz parte da Associação de Voluntários do HC a mais de 4 anos. Ela atua no ICESP, mas é possível se candidatar ao voluntariado e ajudar em qualquer um dos hospitais da região das clínicas.

Conversamos bastante. Falamos sobre o voluntariado, sobre como é importante principalmente para as mulheres ter uma peruca, lenço ou turbante nessa fase, pois a vaidade fala muito mesmo naqueles que nem sempre foram vaidosos.

Como dizíamos, a pessoa só se enxerga doente quando cai o cabelo. O mundo só a enxerga doente a partir desse momento.
Quantas vezes não passei por situações constrangedoras ao pedir para minha mãe sentar num reservado no trem. Escutava sussurros "será que ela tá grávida?". As vezes tínhamos que mostrar a carteirinha de preferencial. A mãe não tinha cara de doente. Não mesmo. Vê-se por algumas fotos que postei por aqui.

E lá se foram minutos preciosos para mim. Já tinha me interessado pelo voluntariado, mas infelizmente não consigo conciliar. É necessário dispor de 6hrs semanais de 2ª a 6ª.

Quem sabe um dia, não é mesmo?

Essas são as anjinhas cor-de-rosa que povoa o ICESP, HC, Incor (...), seja com o chazinho da tarde, ou num bate papo com o grupo acolhida.


Fundada em 2 de abril de 1957, uma das associações mais antigas do Brasil com mais de 400 voluntários.


Para Marcos Boulos, diretor da Faculdade de Medicina da USP, os voluntários “São pessoas que dedicam seu tempo para quem precisa de auxilio. O trabalho dos voluntários alia a solidariedade, compromisso, dedicação e seriedade”.

“A nossa equipe atua em todos os institutos do HC, levando não só o apoio emocional, mas também o bem material”, disse a presidente da AVOHC, Maria Amélia Saleta Salermo, lembrando que a associação realiza eventos, como feiras e campanhas, para adquirir verbas para comprar roupas, alimentos, calçados, próteses, cadeiras de roda, enxovais, entre outros. 


Prestamos assistência a todos os Institutos que fazem parte do complexo do Hospital  das Clínicas.
INSTITUTO CENTRAL
INSTITUTO DA CRIANÇA - ICR
INSTITUTO DO CÂNCER - ICESP
INSTITUTO DO CORAÇÃO - INCOR
INSTITUTO DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA - IOT
INSTITUTO DE PSIQUIATRIA - IPQ
INSTITUTO DE RADIOLOGIA - INRAD
PRONTO-SOCORRO - PS
HOSPITAL AUXILIAR COTOXÓ
HOSPITAL AUXILIAR DE SUZANO
NA NOSSA SEDE CENTRAL - ARTESANATO E COSTURA



Para tornar-se parceiro ou voluntário da Associação visite o site www.avohc.org.br.

Sobre a peruca, para conseguí-la, é necessário um formulário emitido pelo Serviço Social do Hospital (no caso da mãe, do ICESP) e se dirigir ao voluntariado do hospital.

Como aconteceram muitas coisas naquele dia, acabamos por não pegar a da mãe ainda. 
Mas assim que der passaremos lá e depois conto tudo pro cês...

Bjinhos meninas ...

E um mais que especial pras cor-de-rosa lá do ICESP. Anjos meu.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pedras no caminho

Respondendo ao comentário da Cíntia no post O Tratamento²

Cíntia, 
nem mesmo eu sei até hoje o que aconteceu com os laudos daquela tomografia. 
Prefiro não pensar mais nisso. 

Os exames foram feitos e pelas 2 ou 3 consultas seguintes a Drª não localizou os laudos no sistema. 

Questionei a ouvidoria e a mesma o departamento responsável. 

Segundo eles o laudo sempre esteve a disposição da médica.

Essa situação me causou um transtorno que prefiro por hora não entrar em detalhe. 

O que fica é que, por mais que eu não tenha conhecimento médico, não sai da minha cabeça que o tumor só progrediu pois a mãe ficou mais de 3 meses sem tratamento eficaz.

Nós que estamos nesta batalha sabemos o quanto é traiçoeiro este nosso oponente.

O ICESP é referência no tratamento do câncer. É o melhor hospital da América Latina. Mas como todos, peca em alguns aspectos. Desencontro de informações, overbooking de pacientes etc.

Me questionei muito nessa época sobre como teria sido se o tratamento tivesse sido trocado a 2 ou 3 meses atrás. Como nunca terei a resposta, prefiro me apegar ao hoje. Essa foi uma pedra no nosso caminho que por hora está encostadinha lá.

Um abraço e obrigada por estar sempre por aqui.
A todos que tem nos acompanhado, que tem pedido a Deus por nós. 

Sara Ramos


O Tratamento²

Continuando a postagem que fiz aqui...

Quando ela retorno para a consulta mensal em agosto com a oncologista a história estava para se repetir.

A Drª ainda não estava com o laudo da tomografia em mãos, portanto, não seria possível alterar o tratamento. Porém, ela encaminhou a mãe mais uma vez para o CAIO, onde ela aguardaria vaga para ser transferida para a internação.

Neste dia eu não consegui acompanhá-la na consulta. Fiquei muito preocupada na faculdade esperando novidades, e quando soube que ela havia sido internada no  CAIO novamente fui direto para lá. Era uma 5ª feira, eu assisti apenas a 1ª aula. Cheguei quase 10 horas da noite. Ela estava conformada. Como sempre achava que não tinha o direito de incomodar as enfermeiras com seus incômodos (câimbra, fome etc). 

Mas eu não penso assim e tratei logo de convencê-la a pedir um lanche, afinal, ela estava lá desde cedo e não havia nem almoçado. Como ela foi encaminhada ao CAIO no fim da tarde, não pegou nem um dos horários de lanche. E para dormir, como não havia macas disponíveis, pedi ao enfermeiro que providenciasse alguma medicação para ajudá-la a dormir (mais tarde soube que ficou apenas na promessa).

Na 6ª feira fui para o hospital tentar agilizar a internação.
Eu vi na minha cabeça o filme do mês passado. 3 dias de CAIO, nenhum diagnóstico, noites sem dormir, dias sem comer. 

Corri atrás da ouvidoria, disse que não permitiria que novamente a mãe ficasse ali por 3 dias e fosse liberada sem nenhuma novidade, uma vez que sua médica pediu a internação para realizar novos exames, que minha mãe estava no CAIO apenas esperando vaga na internação mas a médica de plantão já estava preparando para dar alta a ela.

A orientação foi que eu falasse com a médica responsável pelo CAIO pois a ouvidoria não poderia contradizer um parecer médico. De que adianta falar com eles e ter esta resposta?

Sai a procura dessa tal médica que estava disposta a dar alta à mãe. Iria exigir que ela me desse um laudo por escrito certificando que apesar da oncologista encaminhá-la para internação, ao seu ver, esla estava apta a ir para casa. Também tentei localizar a Drª Cristiane, oncologista que acompanha a mãe desde o início do tratamento para colocá-la a par do que estava ocorrendo. Ela não estava no Hospital.

E acreditem vocês, que coincidência, quando retornei ao  CAIO havia um quarto que acabara de ser desocupado, estava apenas esperando ser limpo para acomodar a mãe. 

Coincidência ou não, fiquei feliz em saber que ela não iria mais passar a noite naquela poltrona. Seu braço já estava tendo reação alérgica de ficar ali em contato com o tecido da poltrona.
Fiquei com ela no quarto até umas 10:30 da noite. 

Nos dias que se seguiram, foram feitos novos exames, e constataram uma progressão do tumor para esquerda. 

Uma nova quimioterapia foi indicada. 
A 1ª aplicação foi feita no hospital e como tudo correu bem, ela teve alta na 6ª feira completando assim 1 semana de internação. 

E até o momento tem passado pelas sessões de quimio 1 vez por semana, por 2 semans e 1 de folga (ciclo de 21 dias). 

Já se passaram 2 ciclos desde então. 

O composto utilizado desta vez é a Carboplatina e Paclitaxel.
Indicação: indicados para pacientes que não são candidatos a cirurgia e/ou radioterapia com potencial de cura. 
Prós e Contras: Neste novo tratamento a mãe não tem enfrentado tantas náuseas quanto no ano passado. Chegou a vomitar mas não tem sido recorrente. O apetite continua bem, ela tem se alimentado normalmente, come de tudo, porém, em pequenas quantidades, pois ao comer causa crise de tosse. 
O mais marcante foi a queda do cabelo. Durante todos esses meses tínhamos a consciência da doença mas ela não estava lá gritando. Temos encarado bem essa fase mas foi um baque viu... 
Duração: Assim como a 1ª quimio, não temos uma previsão de quanto tempo será o tratamento. Será feito exames periódicos para acompanhar a progressão ou regressão do tumor.

O que vem acontecendo vocês tem acompanhado por aqui.

Hoje tem consulta com a oncologista e saberemos se esta quimio tem feito resultado. Não poderei acompanhá-la na consulta mas estou ansiosa pela ligação com as novidades.

Mais tarde conto tudo para vocês.

Um beijo e fiquem com Deus.



O Tratamento¹

Hoje vou falar um pouco dos tratamentos aos quais a mãe foi submetida.

Após diagnóstico, ela passou pelo tratamento por quimioterapia onde eram combinados os medicamentos GEMZAR (cloridrato de gencitabina) + CDDP (cisplatina), 2 semanas seguidas, com descanso de 1 semana (ciclos de 21 dias). A primeira aplicação era sempre a mais longa com duração de até 5 horas e a segunda durava até 3 horas.

Indicações: GEMZAR é um medicamento utilizado na tentativa de bloquear o crescimento das células do
tumor, tentando fazer com que o tumor diminua ou pare de crescer.
Essa combinação é indicada a diversos tipos de tumor. No caso da mãe, foi indicado por se tratar de câncer de pulmão de células não-pequenas, já metastático (a mãe enquadra nesta situação pois no líquido que se acumulou no pericárdio foi encontrado células cancerígenas). 
Prós e Contras: Esse tratamento não causou a queda de cabelo na mãe, porém, ela perdeu o apetite. Tudo causava ânsia: o cheiro da comida, a textura, o gosto. 
Resultado: Estabilizou o tumor, porém não regrediu.
Período: Junho - Outubro /2011

Como estáva estável, a médica preferiu acompanhá-la apenas por exames nos meses que se seguiram.

Foram feitos testes para possível tratamento com drogas em estudo, porém, os testes nos cromossomos do tumor de pulmão não-pequenas células que a mãe está em tratamento não foi constatado a fusão do Gene ALK, fator necessário para a utilização do medicamento em teste (PF-02341066). Este é um novo medicamento anticâncer ministrado via oral (pela boca) que está em investigação. Ele é favricado pela Pfizer. Sua ação é de inibir a atividade tumoral consequente da fusão do gene ALK. Segundo dados de pacientes já em teste, este medicamento pode impedir o crescimento do câncer de pulmão que apresenta essa fusão.
Enfim, a mãe não apresentou esta mutação e não foi possível participar da pesquisa.
Em fevereiro, após constatar pela tomografia que o derrame pericárdico estava se refazendo, a Drª preferiu iniciar o tratamento com o Tarceva, medicamento de autocusto (R$ 6000,00 a caixa com 30 comp.), via oral.
Indicação: indicado para o tratamento de pacientes com câncer de pulmão de não-pequenas células (CPNPC), localmente avançado ou metastático (estadios IIIb e IV), após a falha de pelo menos um esquema quimioterápico prévio.
Prós e Contras: o diferencial deste medicamento é que você pode tomá-lo em casa via oral. As reações mais comuns e que também ocorreu com a mãe são diarréia e erupções cutáneas (espécie de espinhas que aparecem em diversas partes do corpo). Ela precisou fazer acompanhamento com a dermato para controlar as reações. Segundo a médica, essas reações são bons sinais, significa que o organismo está reagindo ao medicamento.
Resultado: de início, por ter apresentado as reações previstas, achávamos que estava tendo resultado. Porém, os exames comprovaram que não estávamos tendo resultado. O derrame pericárdico continuava em atividade, a mãe estava cada vez mais cansada devido ao líquido. 
Período: Ela tomou esta medicação de Fevereiro a Agosto de 2012.

Neste período, vendo que a mãe voltava a apresentar sintomas do derrame, a médica encaminhou-a para acompanhamento com a cardiologista (não entendo o porque esse acompanhamento não estava sendo feito desde o início, uma vez que o derrame pericárdico foi constatado antes mesmo do tumor.

Ao notar que o Tarceva não estava apresentando o resultado esperado, a Drª solicitou uma tomografia para analisar a atividade do tumor. Só após os resultados seria possível trocar a medicação. 

Passaram se 3 meses, 2 consultas e não foi possível localizar o laudo com resultado do exame para alteração da medicação. 

Foi cogitado a hipótese de uma nova cirurgia de drenagem do líquido no pericárdio, mas qualquer decisão só seria possível diante do laudo da tomografia.

Neste meio tempo, a mãe passou por duas internações no CAIO (pronto-socorro do ICESP) aguardando uma avaliação do que seria feito. E o resultado nada. 

Numa dessas internações, ela passou 3 dias no CAIO. As acomodações lá são projetadas para um curto período de espera (24 horas no máximo), mas a mãe passou lá 3 dias. A alimentação é restrita, tudo pensado para pacientes em observação. Assim, foram 3 dias sem comer e sem dormir direito, afinal, não é possível dormir numa poltrona por mais confortável que seja por mais que 24 horas. 
Nessa internação em específico, eu estava voltando de uma viagem que fiz à Bahia. Quando cheguei, fui direto ao hospital e não aguentei. Se não fosse para dar um parecer (cirurgia, quimi etc) eu queria que a mãe fosse pra casa. Não suportava vê-la naquela situação. Chorava pois não conseguia se alimentar, por não estar conseguindo dormir. As caimbras eram tão fortes e constantes. E não podia nem fazer exercício para tentar aliviar. Eu sei que para ela chegar a este estado é porque não estava mais suportando. 
A minha mãe é de uma força que jamais encontrei em outra pessoa. Foi ai que pedi pra dar alta para ela. Pra ficar sem parecer ficaríamos em casa e com uma receita de antibiótico nas mãos fomos embora. Isso em Julho de 2012.

Continua...


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

1º Aniversário

Galera,
 
Muito feliz.
Acabamos de fazer oficialmente um mês de existência.
O blog estreou em 04/09/2012 com um post contando um pouquinho de como tudo começou.
De lá pra cá, reuni relatos dessa nossa guerra diária, compartilhei dicas, experiências.
Recentemente demos as boas vindas à colaboradora Ester que inaugurou seu cantinho aqui assumindo a liderança como post mais visitando onde permanece até o momento. Espero vê-la sempre aqui, compartilhando seus anseios e tudo que estiver as partilhar, como o post emocionante que vimos por aqui. Encontrei aqui uma maneira de escutar você Ester. Obrigada por fazer parte disso comigo. Por ter abraçado esta causa.
 
Depois que comecei minha jornada aqui na blogosfera conheci inúmeras(os) guerreiras(os) que muito tem me ensinado. Essa rede nos leva de cá pra lá sempre nos apresentando Ícones, pessoas que já venceram esta batalha, ou mesmo que ainda estão em guerra mas encaram-na de uma forma tão única, driblando as peripécias da vida que teimam em nos surpreender. Aprendi com algumas delas que nós também podemos surpreender a vida, VIVENDO-A.
 
Que esse possa ser um longo caminho cheio de vitórias, cheio de conquistas e experiências compartilhas.
 
Estou sempre aberta a ouvir. Procurarei sempre responder aos comentários retribuindo esse carinho que temos recebido. Cada visita é uma satisfação enorme. Ver que estamos alcançando o mundo faz pensar que está valendo a pena.
 
 
 
Hoje também é um dia muito especial, pois completamos a 6ª sessão dessa nova quimioterapia. Ao todo foram 2 ciclos completos (cada ciclo dura 21 dias com aplicação da quimio a cada 7 dias , uma semana de folga e tudo recomeça na semana seguinte).
 
As sessões tem sido longas (em média 4 a 5 horas) e cansativas, pois como esse novo tratamento é mais forte, é preciso aplicar junto uma série de medicação para enjôo, antialérgicos etc. Assim, a nossa rainha fica cansadinha e meio sonolenta.
 
Enfim, está tudo correndo bem por aqui. Os enjôos são bem menos que no ano passado e a alimentação tem sido regular.
 
Espero vocês nos comentários.
 
Um beijo com asas para a galera lá de Minas que nos ajuda em oração torcendo pela recuperação da Don'Ana.
 
 

Recapitulando

Essa semana o blog bombou geral, estou muito feliz.
E para aqueles que estão chegando agora e não acompanharam os posts sobre o processo de descoberta e tratamento do câncer da Dona Ana, hoje tive o prazer de contar nossa história para a queria Evelin, uma guerreira que conheci aqui na Blogosfera e aprendi a admirar incondicionalmente.
E aproveito para registrar aqui o que repassei a ela. Um breve resumo desses 19 meses aproximadamente:

Nesta foto, no ICESP, última internação
antes de retomar à quimioterapia
Samuel, mamys e Graziela
___

Oi Evelin,

O blog está meio desatualizado quanto ao tratamento da mãe pois não tenho estado muito a par. Quem acompanha mais é a minha irmã. Como estou trabalhando nós revesamos.

O que contei sobre o tratamento ta na guia História (http://sarinha-ramos.blogspot.com.br/search/label/História)

Mas resumindo,
ela se internou em março de 2011 para cirurgia de drenagem pois estava com derrame pericardico. Passou 2 meses internada em tratamento para tuberculose pois esse era o diagnostico mais próximo que eles tinham com base em suposições pois nada foi confirmado em exame.

Ao receber alta, voltou na semana seguinte para retorno e constataram que o derrame havia se refeito.

E uma nova cirurgia foi feita ainda sem saber o que estava causando esses derrames (produção de líquido no tecido que recobre o coração).

Após se recuperar da cirurgia iria ter alta novamente sem diagnóstico. Sempre diziam que de 1000 casos de derrame pericárdico apenas 1 ou outro se descobria a causa.

Ai a minha mãe questionou que não estava se sentindo bem, que não gostaria de ter alta sem realizar novos exames.

Foi aí que após várias tomografias, veio a tão temida notícia: adenocarcinoma de pulmão - estágio IV e que a espectativa de vida dela era apenas 4 meses pois já estava em estágio avançado.

Várias perguntas surgiram em nossa cabeça.

As básicas né: porque ela e não eu?

e a que mais me incomoda: como ela passou 2 meses internada fazendo exames quase diários e o tumor não apareceu?

2 meses fariam diferença no tratamento?

O que causou isso (além do fator genético, pois ela perdeu uma irmã para o cancer com apenas 20 anos de idade)?

E muitas outras perguntas..

Começou o tratamento com quimioterapia. Nesse período de jun/2011 até outubro/2011. As sessões não derrubaram o cabelo dela por completo.
Como era bem comprido (somos evangelicas), ficou ralo ai ela cortou no ombro. E o cabelo foi se refazendo e ocorreu tipo uma espécie de troca, crescia os novos ela aparava os velhos.

E quanto tava lindinho, teve que iniciar uma quimio mais forte pois o remédio que ela tomava via oral desde fev/2012 não estava mais fazendo efeito.

E é isso, desde o fim de agosto ela está neste novo tratamento, que não tem causado tanto enjoo como no ano passado mas fez dela a carequinha mais linda do mundo.


Dicas

Passeando pelo mundo virtual da Heloísa Orsolini encontrei dicas incríveis que vou repassar pra minha mamys.

Como vocês podem ver, a minha mãe é adepta dos bonezinhos e chapeuzinhos -pegou toda minha coleção pra ela .


Ainda estamos começando neste mundo carequinha, mas uma opção elegantérrima e que irei incorporar no visu da dona Ana são os lenços. Eu acho que vai ficar linda (de qualquer jeito né gente).

No vídeo abaixo, a Helô dá dicas de como usar os lenços em seus diversos tipos e tamanhos:



E para aquelas que já estão tendo a graça de ter os primeiros fios de volta, como domá-los?


É isso pessoal, espero que tenham gostado.

E não se esqueçam, Outubro é mês de conscientizar-se quanto a prevenção do câncer de mama, mas o recado vale para o ano inteiro.

O blog apoia essa campanha!




segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Por que o cabelo do ator Reynaldo Gianecchini enrolou?

Para finalizar, reproduzo aqui um trecho de uma reportagem publicada na Folha de S. Paulo onde Maria da Glória Gimenes, psico-oncologista e autora do livro "A Mulher e o Câncer" (Livro Pleno, R$ 31, 325 págs), diz que o cabelo costuma ser o ponto fraco do paciente com câncer. "Quem vê de fora pensa que é excesso de vaidade, mas as mudanças no cabelo denunciam a doença. São elas que impedem que o paciente tenha sua privacidade, conte sobre o problema apenas para quem ele quiser", diz.

Essa declaração foi publicada na matéria que explicava o porquê o cabelo do Gianecchini nasceu enrolado após o tratamento.

Agora fiquei curiosa pra saber como vai nascer o cabelo da minha mãe...

A matéria na íntegra vocês conferem aqui:

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03/09/2012-15h30

Saiba por que o cabelo do ator Reynaldo Gianecchini mudou depois da quimioterapia


JULIANA CUNHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Depois que o ator Reynaldo Gianecchini, 39, apareceu com os cabelos crespos e cacheados por conta do tratamento de um linfoma, muitos se perguntam se a quimioterapia afeta a textura do cabelo e se esses efeitos são reversíveis.



O cabelo que nasce logo depois do tratamento costuma ser diferente do cabelo que a pessoa tinha antes. "Isso acontece porque os fios crescem em ciclos diferentes, primeiro mais grossos, depois mais finos, o que deixa o cabelo desigual", explica Artur Malzyner, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.
Recentemente, o "British Journal of Dermatology" publicou um estudo sobre as modificações estruturais do cabelo após a quimioterapia. O estudo concluiu que a mudança no aspecto dos fios acontece por conta da diminuição da espessura da fibra capilar e da alta variação na espessura dos fios no couro cabeludo do indivíduo.
Em geral, o que acontece durante a quimioterapia é uma queda acentuada de cabelo. O paciente fica praticamente careca porque as células responsáveis pelo crescimento de pelos têm uma taxa de proliferação muito alta, comparável à velocidade de divisão celular de alguns tumores malignos. Isso faz com que, na tentativa de evitar a proliferação de células cancerígenas, o tratamento destrua também as células do cabelo.
Cerca de três meses depois do tratamento começam a nascer fios diferentes do original. Em um ano, a maior parte dos pacientes já está com o cabelo completamente normal, explica Malzyner.
A mudança no fio ocorre porque a região que controla a espessura e a simetria da fibra capilar é justamente a matriz, área celular afetada pela quimioterapia. Assim, cabelos antes lisos e grossos podem se tornar cacheados e finos e vice-versa.
Pode haver ainda mudanças na cor. O ator Reynaldo Gianecchini, por exemplo, disse que teve de pintar os cabelos, que passaram a nascer grisalhos depois da quimioterapia. "Há registro de pessoas ruivas que se tornaram loiras e de pessoas muito jovens que ficaram grisalhas", conta a dermatologista Camila Hofbauer, do Grupo de Dermatologia Estética do Hospital das Clínicas da USP.
Não dá para prever se o cabelo voltará ao normal. Caso não volte, o jeito é recorrer a tratamentos estéticos se o paciente não se acostumar com o novo cabelo.
Já existem técnicas para controlar a queda durante a quimioterapia: "Dá para usar um dispositivo de resfriamento do couro cabeludo que causa a vasoconstrição local e reduz os efeitos do medicamento nos folículos", explica Hofbauer
Para Maria da Glória Gimenes, psico-oncologista e autora do livro "A Mulher e o Câncer" (Livro Pleno, R$ 31, 325 págs), o cabelo costuma ser o ponto fraco do paciente com câncer. "Quem vê de fora pensa que é excesso de vaidade, mas as mudanças no cabelo denunciam a doença. São elas que impedem que o paciente tenha sua privacidade, conte sobre o problema apenas para quem ele quiser", diz.

Fonte: Folha de São Paulo